quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Crepúsculo dos Deuses

Assistindo o Trailer de "Thor" uma das produções da Marvel com lançamento previsto já para esse ano, refleti um pouco sobre essa máquina de fazer dinheiro que os nossos já há muito conhecidos heróis se tornaram e cheguei a conclusão que eles agora tem um número de fiéis muito maior para agradar.

  
Eu sempre gostei da palavra crepúsculo, isso antes de Stepheine Meyer, antes dela estraçalhar com o mito do vampiro. Mito esse é nosso tema Srs, um mito surge como qualquer folclore, como qualquer fantasia... Uma mescla de desejos e conceitos que vão se amalgamando em torno de um arquétipo. Assim são os Deuses, personificações não lineares, não necessariamente racionais dos medos e desejos populares. 

Mitologia seria então o estudo da mentira? Bem, verdade e mentira são conceitos bastante simplórios diante do rebuscada e relativizada visão do ser humano sobre o mundo que o cerca. Para mim a verdade absoluta não passa de uma mito, uma mentira bem fundamentada e aceita pelo imaginário coletivo de nossa época.

Mas e quando são os nossos deuses, e quando nossos paradigmas começam a ruir ou a serem reinventados, é chato mas também normal... do contrário esses deuses e heróis envelheceriam tornando-se mortais como nós mesmos.

A Marvel já há um tempo percebeu isso. Eu costumava me revoltar toda a vez que os editores mudavam a origem de um herói. Wolverine e Homem Aranha sempre foram os meus favoritos, assim como para a maioria das pessoas, já que ambos eram rebeldes e voluntariosos. Wolverine o selvagem quase animalesco que não obedecia as regras de conduta traçando sempre seu próprio caminho no arquétipo do lobo solitário. Já o homem aranha com sua irreverência unica, sempre tirando sarro de seus inimigos, mas sem deixar de fazer o que achava certo. Mesmo quando sua foto estampava as páginas do Clarin Diário. 

Hoje ambos os heróis foram repaginados pela Marvel, e tentem a uma certa pasteurização agora que se tornaram produtos Disney, Wolverine que sempre fumou e estava cagando e andando pros males do tabagismo, afinal o cara tem fator de cura, agora posa de líder bundão dos X-Men. 

O grande problema com o processo de transformação desses personagens, é que a cura para o mal da mudança de gerações pode ser a causa de uma total transfiguração do mito. Se trair seu próprio arquétipo o deus morre... perde os poderes e acaba esquecido.

E essa fórmula pode ser aplicada tanto a personagens das HQs quanto em qualquer forma de comunicação de massas. Quem sabe isso não nos ensine que é melhor ter um público fiel a querer agradar um nicho de mercado ampliado. Se for para tirar alguma lição disso tudo, talvez essa lição seja a de nunca abandona-mos nossa essência, nosso arquétipo, nosso deus interior.

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